Exaltação ao Cristo Maravilha!

Houve, ó Cristo, quem quisesse te dar um trono de glória no alto do Corcovado.

Mas tu abriste os braços, inclinaste, humildemente, a cabeça e disseste:

“Tudo bem! Meu Pai, Deus, lhes pague pela honra! Mas gosto mesmo é de gente! Sou gente, sou deste povo e este povo é meu! Ele e eu estamos casados, casados com o verde da floresta que coroa esta cidade, com o marulhar das águas do mar que banha nossas praias, com o som dos tamborins, dos tamborins e dos pandeiros que enchem de ritmo o Rio de Janeiro!”

Por amor, ó Cristo, te imortalizaram numa grande estátua, com mais de 30 metros de altura.

Mas tu disseste:

“Ah, meus amigos, fui gente, gente como vocês. Sou grande apenas na misericórdia! Grande é o meu coração! Gosto mesmo é da descontração alegre dos cariocas, do samba dos morros e da festa das torcidas em domingo de Maracanã.”

Em estátua de alto porte, te deram um aspecto soberano, imponente, real, sério, pétreo, quase inacessível.

Mas tu confessaste:

“Gosto de comer com os pecadores e da poeira das estradas! Gosto é de estar no meio do povo, consolando os aflitos e fazendo festa com os pobres e sofridos, com os que sabem relevar, com um sorriso nos lábios, as chateações inevitáveis da vida”.

Ah, meu bom Cristo Redentor, nossa cidade já era maravilhosa, graças ao teu Deus.

Contigo, ela é abençoada.

Tu nasceste pobre, no coxo de uma humilde estrebaria.

Nós, cariocas, te oferecemos o berço alegre do Samba e da Bossa Nova.

Tu não tiveste nem uma pedra onde pudesses reclinar a cabeça.

Nós te damos as nuvens brancas e carregadas que te cobrem e as brisas que te afagam.

Tu anunciaste o Reino de Deus.

Nós te oferecemos a hospitalidade e te consagramos a alegria de sermos cariocas.

Tu curaste os doentes e ressuscitaste os mortos, pregaste a fraternidade e quebraste os grilhões aos cativos.

Dá-nos, te pedimos, a Paz, somente a Paz, e, sempre, a tua Bênção.

Ensina-nos a grande lição da Liberdade e a fascinante arte de viver!

Proclama, do alto do Corcovado, que somos bem-aventurados e chama-nos de filhos do sol e de Deus!

Desperta em nós um grande amor pelos pobres, pelos doentes e pecadores!

Perdoa nossos pecados e afasta de nós todo egoísmo e violência!

Teus inimigos te deram uma cruz.

Nós te damos nossos aplausos, muitos aplausos, nosso reconhecido bom humor, o brilho das estrelas, a beleza do Carnaval e o nosso coração em festa.

Antes, ó Cristo, já gostávamos de ti; hoje, gostamos ainda mais.

Ao acordar, a cada manhã, prometemos olhar para ti, que estás, no alto do Corcovado, de braços abertos, cuidando de nossa cidade, e te prometemos dizer-te, com alma e coração, na exultação e sempre cheios de santo orgulho:

“Tu, Cristo, tu és uma maravilha!”

Frei Neylor J. Tonin - irmão menor e pecador

 

Rio de Janeiro, 27-07-07

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