Em Louvor do Ser Humano

Quando, no meio da noite, olhamos para o alto
e contemplamos as profundezas insondáveis do céu,
ficamos com a sensação de sermos tão pequenos.
Se olhamos para Deus, só nos sobra uma pergunta:
Que é, enfim, o homem diante de tanta grandeza?

Não passamos de um grão de areia
no mar sem horizontes do mistério divino.
Somos como que uma gota de orvalho
que o sol da manhã impiedosamente dissipa.
Ou como uma palha que o vento leva
e as folhas secas das árvores escondem.

Sim, diante de Deus, somos nada ou muito pouco:
temos uma força que os anos enfraquecem;
somos uma beleza que a mão do tempo cobre de rugas;
nosso coração sonha com uma terra prometida
que nossos pés nunca alcançarão
e que nossas desconfianças nem sabem onde fica.

Mesmo assim, damo-nos às vezes ares de indisfarçável soberba.
Olhando para os outros, julgamo-nos superiores.
Medimo-os pelo metro de nossas presumidas qualidades.
Pretensiosamente, estufamos o peito e alardeamos valores
para, quem sabe?, esconder nossos pobres pés de barro.

Mas, que é o ser humano para Deus?
É filho de suas entranhas, é reflexo de sua santidade.
Tem o brilho de sua glória e é parte de sua grandeza.
Deus olha a pessoa humana com imensa graça
e não despreza ou lamenta sua fragilidade.
Não a vê como um projeto destinado ao fracasso,
nem como um pecado que merece condenação.

Não! Deus, o grande "amigo da vida" (Sb 11,26),
ama a obra de suas mãos
e não se aborrece com os extravios humanos.
De suas entranhas de Pai e Criador,
ondas de perdão jorram para cobrir o abismo dos nossos males
e seus cuidados sempre nos vestem de novo com a túnica da festa.

Eis uma oração de valor teológico irretocável:
"Não somos nada, mas pertencemos a Ti!" (Santo Agostinho)

Se louvamos o ser humano, ó Deus, grande e bom,
e nos encantamos diante do que somos e seremos,
é porque tu és nosso Criador e Salvador.
Na verdade, só a ti são devidos louvores e louvações,
cantos de alegria e de ação de graças,
hinos de júbilo, salmos de adoração, palmas de felicidade.
Para ti abrimos nossos braços, pequenos e frágeis,
esperando encontrar teus braços grandes e onipotentes.
Abraça-nos, ó Deus! Cobre-nos com tua glória e poder!
Salva-nos por teu amor! Em louvor de Cristo. Amém.

Frei Neylor J. Tonin

 

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