A mulher será sempre, para o homem, um reino encantado e uma terra proibida, um mistério que o fascina e um horizonte iluminado e de sombras que o intriga, ao mesmo tempo, o seduz e amedronta.
Porque a mulher é o grande grito que, nós homens, carregamos na concha de nossa carne, escuta-lo é imperioso e entendê-lo é, para nós, uma fonte de felicidade e paz.
Para o homem, no entanto, é lhe negado domesticar tal grito sem respeito e apoderar-se dele sem grandeza. Pelo contrário, este grito só será entendido quando soar livremente e for acolhido com ternura e encantamento.
Tanto mais verdadeiro será, quanto mais ressoar com a pureza da fonte que lhe é origem. Se a própria mulher o mascarar, não representará a graça de Deus nem será bem aventurança humana; se nós, homens, o mascararmos, poluiremos sua nascente, transformando nosso maior e mais belo sonho num pesadelo de inenarráveis frustrações.
A mulher é uma graça, a maior das graças que nos é dada experimentar pelo Criador de todas as graças.
Com ela e pelos caminhos dela, a graça da vida continua florindo os jardins de nossas casas. Sem ela, a vida vira deserto tórrido e árido, de inalcançáveis distâncias e inexistentes oásis, sem perspectiva de um regato e de uma tamareira, onde possamos recolher nossos pés cansados e fechar nossos olhos afogueados.
Negar este grito é trair a voz de nossa própria verdade, é viver sem alteridade e peregrinar sem destino. Mas seria, principalmente, enlouquecer, perdendo-nos nas insoluções sem esperanças de nossos próprios labirintos, com medo dos minotauros que assomarão nas voltas sem saída de nossas buscas solitárias e insofridas.
Ela, a mulher, é a nossa anima, sem a qual ressecamos como homens, tornando-nos infecundos como destinos. Sem a sua força e graça, poderá a humanidade ter força, mas sem nenhuma graça.
Que mais podemos dizer sobre ela e para ela, senão agradecer-lhe por ser mulher, companheira de jornada e estrela de norteio.
Elas, as mulheres, com sua existência e graça, amor e beleza, sonho, grandeza e coração, nos fazem mais homens. Elas são a casa para qual queremos sempre voltar e o endereço da felicidade que não queremos jamais perder.
Frei Neylor J. Tonin
Irmão menor e pecador
Amém.