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PALAVRA DE POLÍTICO
Parece que vale pouco ou muito pouco ou quase nada ou, simplesmente, nada. Dizem, hoje, na oposição, o que criticam nos outros, amanhã, quando na situação. No dia a dia da vida dos cidadãos comuns, ninguém pode agir assim, descaradamente, ou seja, mudando de cara conforme as conveniências de seus interesses. Por que isto seria “normal” na vida dos políticos? Meu pai sempre pedia que não se devesse mentir nem roubar. Roubar, dizia, seria uma forma de mentir com as coisas dos outros. O que é dos outros é dos outros e, por isso, vocês não podem roubar. Roubar é uma forma de mentira. A mentira, segundo ele, é uma falta de caráter. O caráter conhece seus limites e convive com eles. Ninguém pode ostentar o que não tem e o que não é. Por que isto não vale para os políticos? Faltaria caráter aos nossos homens públicos? Dá para confiar em pessoas que não têm caráter? Não desejamos, evidentemente, colocar a todos os nossos políticos num mesmo saco, caracterizando a todos pela falta de caráter que, hoje, assola nossa vida pública. Mas seria preciso que as mentiras e os roubos não fossem tão acintosos e descarados, porque a “Res Publica”, ou a coisa pública é algo que pertence a todos e não pode ser defraudada em sua destinação nem representada, desrespeitosamente, com mentiras. Ser honesto é uma forma de honrar a Deus, que é verdadeiro. Contrariamente, seria colocar no trono da República gente, perfumada e engravatada, com cara de demônio. Nesse, não se pode confiar nem seguir. O Congresso Nacional e o Palácio do Planalto não estariam necessitados de um bom exorcismo, principalmente quando seus ocupantes juram, com a cara mais limpa do mundo, que nada viram, nada sabem e nenhum mal fizeram? Seus cuecões, no entanto, estão cheios de marcas de batom e suas consciências apenas se esqueceram do que seus pais, algum dia, com certeza, lhes ensinaram. Maus filhos, maus políticos, tristes representantes de um povo que, no futuro, lhes negará seu voto, com inteira justiça. Frei Neylor,
menor e pecador
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