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As borboletas, segundo uma fábula árabe, se reuniram, certa
noite, na ânsia de conhecerem a natureza do fogo. Confabulavam:
alguém deverá explicar-nos como é, realmente, o fogo.
Uma delas prontificou-se a ir até o castelo e, de longe, à
distância, viu a chama de uma vela.
Voltou e referiu, tanto quanto pôde, as impressões que lhe
ficaram. Mas a borboleta-rainha, que presidia a reunião, julgou-as
insuficientes.
- Nada sabes sobre o fogo, sentenciou.
Partiu uma outra borboleta, mais velha e experiente, penetrou no castelo,
chegou a tocar na vela, sentiu o calor do fogo e, voltando, também
deu suas impressões. Mas também foi reprovada pela rainha.
- É pouco, muito pouco. É preciso mais!
Partiu, então, uma terceira, mais jovem, ébria do desejo
de saber como seria, realmente, o fogo. Pousou sobre a chama, abraçou-a
com suas asas, fez-se uma só com ela, até tornar-se totalmente
vermelha e incandescente. Quando a borboleta-rainha, à distância,
assim a viu totalmente transfigurada, totalmente luz e calor, disse:
- Esta conseguiu saber o que queríamos. Ela, só ela, pode
dizer-nos o que é o fogo.
Como borboletas, todos querem saber: O que é a vida? Não
é, sem dúvida, uma questão para discursos, mas
uma aventura para experiências. Não basta chegar perto
dela, nem mesmo tocá-la respeitosamente. É preciso mergulhar
em seu curso, sentir seu calor, amar seu mistério, aceitar seu
abraço, ter sua paixão e deixar-se queimar por sua chama.
Só quem assim procede pode falar, incandescentemente, sobre ela.
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