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S"oren Kierkegaard (1813-1855), o maior e mais universal dos filósofos
dinamarqueses, autor de obras fundamentais de espiritualidade, quis ser
pastor, mas se envolveu em irreconciliáveis discussões teológicas
com seu bispo e acabou vítima das próprias angústias.
Conta-nos ele a história do cabrito almiscareiro que, um dia, sentiu
no ar o perfume do musgo da montanha. Não se dando conta de onde
provinha este perfume, começa a correr de floresta em floresta
a sua procura. Sempre impelido a buscá-lo por vales e montanhas,
renuncia a comer e beber, até que, exausto e faminto, se precipita
de uma elevação e tomba, mortalmente ferido no corpo e na
alma. Seu último gesto, antes de morrer, é de compaixão
para consigo mesmo, lambendo o próprio peito, onde descobre - ó
maravilha! - que nele se desenvolvera o saco-de-almíscar que tanto
buscava. Com dificuldade, aspira profundamente aquele perfume, embora
já fosse tarde demais. E morre.
Não procures, diz o filósofo, fora de ti mesmo o perfume
de Deus, para pereceres no fundo dum grotão da vida. Não
deixes de buscá-lo dentro de ti mesmo: ali O encontrarás.
Mas não somente Deus, como também a liberdade, a paz,
a felicidade, a pureza e uma infinidade de outros valores. Deus, ensina
Santo Agostinho, tanto supera suas criaturas, que lhes é mais
íntimo do que elas a si mesmas.
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