Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
INDEXNOVO_3
Leia o Livro de Visitas Deixe aqui seu recado
Nº de visitantes:
contador

 

 

Oração do mês

Convento

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

minha comunidade no orkut
Seu site conosco!
Eu amo Olga - Frei Neylor J. Tonin
Voltar
04. A morada de Deus  

Esta história foi contada por Ben Wakes e apareceu em "Seleções", no mês de junho de 1963. Numa destas manhãs, quando fazia a barba, minha filha de seis anos me perguntou de repente:
- Papai, onde é que Deus mora, realmente?
- Num poço, respondi distraído.
- Oh, papai, disse ela meio descrente e surpresa.
Durante o café, minha esposa me perguntou:
- Que foi que você andou dizendo à Debbie, acerca de Deus morar num poço?
- Num poço? - estranhei. Deixe-me ver: por que lhe teria dito isto?
Então, de repente, recordei-me de uma cena que estivera escondida em minha memória há mais de trinta anos. Acontecera na cidadezinha de Kielce, no sudoeste da Polônia. Um bando de ciganos havia parado junto a um poço. Na época, eu deveria ter uns cinco anos. Um cigano, em particular, me chamara a atenção. Era um homem gigantesco. Havia tirado do poço um balde cheio de água e estava de pé, bebendo. Um pouco da água escorria-lhe pela barba ruiva e segurava contra os lábios, com as mãos musculosas, o grande balde de madeira como se fosse uma xícara. Quando terminou, enxugou o rosto com a manga da camisa. Depois, inclinou-se e olhou para dentro do poço. Curioso, tentei subir na beirada do poço para ver o que ele estava observando. O gigante notou, sorriu e me levantou em seus braços.
- Sabe quem mora lá embaixo? - perguntou-me. É Deus! Olhe!
E segurou-me na borda do poço. Lá, na água parada, como num espelho, vi meu rosto.
- Mas aquele sou eu!
- Ah - tornou o cigano, pondo-me no chão. Agora você sabe qual é a casa de Deus.

Rostos de recém-nascidos dormindo em paz, rostos de crianças buliçosos e traquinas, rostos de adolescentes cobertos de espanto e espinhas, rostos de jovens sonhadores, confiantes e questionadores, rostos de trabalhadores cansados e de consciência tranqüila, rostos de doentes, sofrendo e conformados, rostos de velhos com rugas e iluminados, rostos de homens e mulheres com todas as alegrias e sofrimentos do mundo: que melhor lugar do que neles, nos rostos humanos, para Deus assomar, se refletir e dizer "presente" à vida? Não há nada mais bonito que um rosto humano, não importa como seja. Só a morte consegue apagar sua beleza, para então transmutá-la na beleza daquele que, em vida, nele se mostrou nos braços fortes de um cigano e na limpidez das águas de um poço profundo.


indice
 
Visite
WebMaster - Graça Oliveira
Curso de Teologia - Inscreva-se Aqui
Google