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Certo dia, contou o escritor árabe Gopal Mukerji, um santo hospedou-se
em nossa casa. Minha mãe o avistou, na pracinha, dando cambalhotas
para divertir as crianças. E me disse:
- Pode ir brincar com ele. Na verdade, ele é um santo.
Fui. Ele passou a mão em minha cabeça e perguntou-me:
- Que queres fazer?
- Não sei, respondi. Faço o que o senhor quiser.
- Bem, continuou, quero saber o que tu gostarias de fazer?
- Gosto de brincar, arrisquei.
- Queres, então, brincar com o Senhor?
Não soube o que responder. Ele acrescentou:
- Olha, se brincássemos com o Senhor, isto seria a coisa mais extraordinária
que poderíamos fazer. Para quem leva a Deus tão a sério,
Ele se torna mortalmente aborrecido. Brinca com Deus, meu filho. Ele adora
brincar.
A religião, infelizmente, perdeu, em grande parte, seu senso
lúdico, para tornar-se uma coisa séria, de testa franzida
e alma amedrontada. Nas igrejas, predominam as pessoas compenetradas.
Não tinha razão Nietzsche, quando disse: "Eu também
seria cristão, se os cristãos não fossem tão
tristes"? Nossa teologia tem as verdades mais consoladoras, o Evangelho
proclama uma boa-nova de salvação e felicidade e, nós,
cristãos, vivemos, religiosamente, emburrados. E pensar que Deus
adora brincar e nós, das Igrejas, somos tão chatos!
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