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Esta história, escutei-a quando tinha pouco mais de dez anos e
nunca mais a esqueci. Marcou-me a vida inteira e, talvez, por causa dela,
quis ser padre e psicólogo. Contou-ma um velho professor alemão,
ainda consternado com os estragos da Segunda Guerra Mundial em seu país.
Segundo ele, uma peça teatral fez muito sucesso, na Alemanha, logo
depois da guerra. Apresentava um jovem soldado, regressando à casa
e encontrando sua cidade arrasada, seu lar destruído, sua família
desaparecida. Em meio ao desespero da realidade, ocupava o centro do palco
e interrogava a platéia:
- Mas, então, estou sozinho?
A continuação da peça se desenvolvia segundo a inspiração
dos espectadores. Numa determinada noite, contou-me o velho professor,
ao fazer a dolorosa pergunta: "Mas, então, estou sòzinho?",
levantou-se uma pessoa da platéia, subiu ao palco, deu-lhe um apertado
abraço e lhe disse:
- Não, tu não estás sòzinho, eu estou contigo,
sou teu irmão.
A mais terrível hediondez de todas as guerras é declarar
o outro não-irmão, condenando-o a réu de morte
e destruição. Mas, enquanto um ser humano puder chamar
o outro de irmão e abraçá-lo, calorosamente, não
haverá nem guerra, nem morte, nem lágrimas e desesperos.
Nós e os outros somos a paz, ou a guerra.
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