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No Livro do Amor Divino, Simeão, o Novo Teólogo (949-1022),
tem a seguinte reflexão, em forma de confissão:
Conheço um homem, diz o santo teólogo, que desejava, de
maneira tão ardente, a salvação de seus irmãos
que muitas vezes pedia a Deus, de todo o coração, com lágrimas
de fogo e com fervor digno de um Moisés, que seus irmãos
fossem salvos com ele, ou, então, que também ele fosse condenado.
Pois de tal forma se considerava, no Espírito Santo, ligado a eles
com um vínculo de amor, que não desejaria nem mesmo entrar
no Reino dos Céus, se tivesse, com isto, de separar-se dos irmãos
amados.
Não lembra esta reflexão a palavra de S. João:
"Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho Unigênito
para que todo aquele que crer nele não pereça mas tenha
a vida eterna" (3,16)? Até que ponto é evangélico
o lema das Missões antigas, escrito na cruz de Cristo e fixado
na mente dos cristãos: "Salva tua alma!"? E os outros,
que Cristo os salvará? Não deveria ser mudado para: "Salva
teu irmão (e assim estará salva tua alma)!"? Os Evangelhos
não falam em "salvar a vida", mas em "dá-la"
ou "perdê-la"? Embora vivamos de medos, a salvação
eterna não pode ser um ato egoísta de cuidados pessoais,
mas de esquecimento e morte, segundo ensinam os verdadeiros mestres
da Espiritualidade e Simeão, o Novo Teólogo.
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