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A obra Bhagavad-Gita, A Canção de Deus, é considerada
o evangelho do Hinduísmo e um dos livros mais puros da literatura
religiosa mundial. Nele, há o seguinte diálogo travado entre
Dharma, a corporificação do dever e da virtude, e Yudhisthira
que, diante do cadáver de seus irmãos, se lamentava, com
pesar, da dor cruel que o desatinava.
Y - Que caminho leva ao céu?
D - O da verdade.
Y - Como pode um homem encontrar a felicidade?
D - Graças a uma conduta correta.
Y - O que deve ele dominar para fugir da dor?
D - Sua mente.
Y - Quando um homem é querido?
D - Quando não tem vaidade.
Y - Qual a mais maravilhosa de todas as maravilhas do mundo?
D - O fato de uma pessoa acreditar, mesmo vendo todas as pessoas morrerem
em torno a si, que não morrerá.
Y - Como se chega à verdadeira religião?
D - Não pelo debate, nem pelas Escrituras, nem pelas doutrinas.
Elas para nada ajudam. O caminho das religiões é o trilhado
pelos santos.
Livros são livros, e não salvam, doutrinas são
doutrinas, e também não salvam. Todos eles são
apenas setas que apontam para o Bem supremo e procuram instruir sobre
as promessas da fé. Os santos, sim, já são, aqui
e agora, a realização concreta e eloqüente deste
futuro prometido e salvador. Cristo deixou uma doutrina, mas não
é ela que salva, e sim Ele. Doutrinas e dogmas religiosos, por
isto, não podem ser armas para combater descrentes, mas apenas
luzes para clarear os caminhos de esperança da fé e das
religiões. As igrejas são o espaço em que se celebra
a fé num Deus que é Pai de todos. Tudo que passa disto
é falsificação religiosa e mascara espúrios
interesses não-espirituais e não-salvadores. Que Deus
nos dê a sabedoria de, sem desprezar a doutrina, amá-lo,
a Ele, nosso Salvador.
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