Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
INDEXNOVO_3
Leia o Livro de Visitas Deixe aqui seu recado
Nº de visitantes:
contador

 

 

Oração do mês

Convento

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

minha comunidade no orkut
Seu site conosco!
Eu amo Olga - Frei Neylor J. Tonin
Voltar
19. O paraíso não é um lugar  

Fugindo da dissolução dos costumes nas grandes cidades e, principalmente, desejando viver mais intensamente o ideal evangélico da pureza e oração, floresceram, graças aos Pais e Mães do Deserto, eremitérios e cenóbios, aos quais grandes mestres da vida espiritual atraíam grande número de discípulos. Uma das caraterísticas da vida destes monges era o distanciamento do barulho e a busca da paz exterior e interior. Nem todos os alunos, no entanto, resistiam ao silêncio e desconforto do deserto. A pouco e pouco, o ideal da paz deixou campo aberto à tentação das novidades, propiciando o surgimento de monges conhecidos como giróvagos ou, mesmo, vagabundos, que, para fugirem aos rigores da disciplina e às penitências, se transferiam de lugar em lugar, sempre à cata de novos e melhores mestres. Esta movimentação se tornou uma verdadeira calamidade, a ponto de um mestre dizer a um aluno que buscava mais conhecimentos: "Entra em tua cela e ela tudo te ensinará". Em outras palavras, deixa de zanzar como um mosca e vive como um monge para teu Deus. É neste sentido que se deve entender o seguinte diálogo ocorrido entre um mestre e um discípulo:

- Encontrei - dizia este último - um lugar que oferece toda a quietude necessária. Queres que vá viver lá?
O Ancião apenas respondeu-lhe:
- Mora onde não causes dano a teu irmão.

É muito fácil se enganar com sonhos e utopias. Todo mundo procura o paraíso, ao invés de lutar com os demônios para criá-lo. Prefere-se apostar na sorte, fugindo ao desafio da realidade. Mas o paraíso, para os monges do deserto, não era um lugar, mas experiência de vida na qual um irmão não fazia mal ao outro. Quem trama o mal e não tem paz interior não encontrará o paraíso nem mesmo na quietude do melhor lugar ou na companhia do mais excelente dos mestres.

"O paraíso - explicou o grande contemplativo norte-americano Thomas Merton - não é "o céu". O paraíso é um estado, ou mesmo um lugar na terra. O paraíso pertence mais propriamente à vida presente, não à futura. Em certo sentido, pertence a ambas. É o estado em que o homem foi originariamente criado para viver na terra. Não devemos imaginar o paraíso como um lugar onde se esteja à vontade, onde exista o prazer sensual. É, sem dúvida alguma, um lugar de paz e descanso. O que os Pais do Deserto procuravam, quando acreditavam poder encontrar o "paraíso" no deserto, era a inocência perdida, o vazio e a pureza de coração, de que fruíam Adão e Eva, no Éden. Evidentemente, não podiam pretender encontrar belas árvores e jardins num deserto sem água, queimado pelo sol. É óbvio que não esperavam descobrir um lugar entre as pedras escaldantes e as cavernas, onde se pudessem reclinar confortavelmente, em recantos cheios de sombra, à beira da água corrente. O que buscavam era o paraíso dentro de si, ou melhor, acima e além de si próprios. Procuravam o paraíso na recuperação daquela "unidade" que havia sido destroçada pelo conhecimento do bem e do mal". (in "Zen e as Aves de Rapina", p. 109).


indice
 
Visite
WebMaster - Graça Oliveira
Curso de Teologia - Inscreva-se Aqui
Google