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Uma das escolas mais completas e saudáveis da espiritualidade
cristã e humana teve como mestres, muitas vezes engraçados
e mordentes, os Pais e Mães do Deserto, cuja espiritualidade nunca
é demais relembrar. Eram pessoas rústicas, de olhar sereno
e hábitos simples, de uma paciência quase ilimitada para
com os faltosos, mas com uma acuidade mental sempre pronta para grandes
tiradas espirituosas, como as das seguintes historinhas:
* Certa vez, um jovem procurou Elias, o Solitário, e lhe confessou:
- Conheci, no mundo, uma pessoa que tinha uma grande idéia sobre
si mesma.
- Esteja certo - emendou Elias - de que, quando alguém tem uma
grande idéia sobre si mesmo, esta é a única grande
idéia que tem.
* Um outro jovem monge foi buscar conselho com o abade Moisés.
- Pai, disse-lhe, já sei como se pode pecar com as mãos,
com os olhos, com a boca e com as orelhas. Mas, diga-me, como se pode
pecar com o nariz?
- Metendo-o - respondeu-lhe o Ancião - onde não é
chamado.
* Uma outra historinha gostosa conta como, certo dia, um beduíno
gordo procurou o abade Sisoés e lhe perguntou:
- Que conselho o senhor me daria para emagrecer?
- Bem, disse-lhe o abade, não é bem este o tipo de conselhos
com os quais costumo me ocupar. De qualquer forma, tente fazer grandes
galopes com seu camelo. Quem sabe, isto o ajudará a queimar algumas
calorias.
Tempos depois, Sisoés encontrou o beduíno e quis saber:
- E daí, como vais? Deu para emagrecer?
- Para emagrecer, deu! Só que quem emagreceu foi o camelo. Perdeu
mais de 20 quilos.
Pessoas sérias demais poderiam lembrar-se deste pensamento
de M. Collins: "O senso de humor é um dos melhores dons
que Deus concedeu ao homem. Não devemos tomar-nos muito a sério:
uma boa risada pode, às vezes, ser melhor do que uma oração".
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