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Conta-se que Buddha encontrou, certa vez, um penitente que praticava,
há anos, atrozes austeridades contra seu corpo. Perguntou-lhe o
que pretendia com tanto esforço. O monge lhe disse que desejava
desenvolver o poder de caminhar sobre as águas do rio. O Mestre,
então, observou-lhe, em tom compassivo:
- Pouco vais lucrar com isto, com tanto trabalho e desperdício
de tempo. Dá uma pequena moeda ao barqueiro e ele te levará
para a outra margem do rio.
Há os que acreditam poder conquistar o céu à
custa de terríveis penitências. Com isto, maceram o corpo
e entristecem a alma. Ao invés de se perfumarem, como diz o Evangelho,
ao fazerem jejum, envaidecem-se pelos heroísmos a que se submetem,
pois não lhe servem nem para amar a Deus, a quem deveriam honrar,
nem aos irmãos, a quem deveriam servir. Tais exercícios
"espirituais" são como os pecados: não aproveitam
a ninguém; apenas caracterizam os que os fazem e espantam os
que os vêem.
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