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Vivekananda, um mestre hindu, conta que houve um grande deus-sábio
chamado Nârada, homem bom e grande iogue. Viajava pelo mundo todo.
Um dia, ao atravessar uma floresta, viu um homem que estivera meditando
por tanto tempo, na mesma posição, que as formigas brancas
tinham construído, em torno de seu corpo, um grande monte de terra.
Ele perguntou a Nârada:
- Para onde vais?
- Vou para o céu, respondeu o iogue.
- Pede, então, a Deus que tenha piedade de mim para que possa alcançar
a libertação.
Mais adiante, Nârada viu outro homem, que
saltava, cantava e dançava, e que também lhe perguntou:
- Para onde vais, ó Nârada?
Diante da mesma resposta, ele lhe suplicou, aos soluços:
- Pede a Deus que me liberte.
Com o correr do tempo, Nârada tornou a passar pelo mesmo caminho
e lá estava o homem, ainda meditando e jejuando em meio às
formigas que, então, já tinham construído um ninho
que o cobria totalmente. Este lhe indagou:
- Pediste por mim ao Senhor?
- Pedi, sim, respondeu o iogue.
- E que disse Ele?
- O Senhor me disse que alcançarás a libertação
dentro de cem anos.
Então o homem começou a gemer e a lamentar-se, dizendo:
- Meditei a ponto de as formigas construírem sua casa em torno
a mim e ainda terei que esperar cem anos para me sentir livre?
Nârada seguiu seu caminho e encontrou o outro homem, aquele que
dançava.
- Suplicaste a Deus o que te pedi?
- Claro, pedi, sim. Vês aquele tamarindeiro copado e coberto de
milhares de folhas? Pois bem, Ele me garantiu que terás de viver
tantos anos quanto somarem as folhas daquela árvore e, então,
experimentarás a libertação.
O homem recomeçou a dançar ainda mais, de tanta alegria,
exclamando:
- Ai que bom! Tão pouco tempo e já estarei livre!
Ouviu-se, então, uma voz:
- Meu filho, desde este momento, já és um homem livre.
"Quando jejuardes, não fiqueis tristes como os hipócritas,
que desfiguram o rosto para os homens verem que estão jejuando.
Em verdade vos digo: eles já receberam a recompensa. Mas, quando
jejuares, lava o rosto e põe perfume na cabeça, para os
homens não perceberem que estás jejuando, mas somente
o Pai, que está no oculto. E o Pai, que vê no oculto, te
dará a recompensa" (Jesus em Mt 6,16-18). Os ensinamentos
dos grandes mestres espirituais encarecem o jejum, as penitências,
a oração, contanto que não entristeçam quem
os faz, nem causem compaixão ou riso em quem os vê. Há
muitos exercícios espirituais que só aproveitam à
vaidade de quem os pratica, fazendo deles artistas da piedade e não
homens-de-Deus. Tudo que produz e leva à tristeza vem do diabo
e cria inferno. Deus é fonte de paz, de dança, de felicidade,
de música, de pulos de alegria.
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