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Bertold Brecht, dramaturgo alemão, nascido em 1898 e falecido
em 1956, relata, num de seus livros, o seguinte diálogo entre o
Mestre e seu discípulo Si-Fu:
Mestre: Enumere, Si-Fu, as questões fundamentais da Filosofia.
Si-Fu: As coisas existem fora de nós, por si mesmas, independentemente
de nós, ou existem em nós, para nós, e nunca independentemente
de nós.
Mestre: Qual é a opinião correta?
Si-Fu: Ainda não se chegou a nenhuma decisão.
Mestre: Para que opinião se inclina, em última instância,
a maioria dos filósofos?
Si-Fu: Que existem fora de nós, por si mesmas e independentemente
de nós.
Mestre: Por que esta questão não foi ainda solucionada?
Si-Fu: O Congresso que deveria solucioná-la reuniu-se, como é
costume há vinte mil anos, no mosteiro de Mi Sang, localizado às
margens do Rio Amarelo. A questão estava assim formulada: O Rio
Amarelo é real ou somente existe dentro de nossa cabeça?
Durante o Congresso, infelizmente, aconteceu um degelo nas montanhas,
o rio transbordou e arrastou consigo o mosteiro de Mi Sang com todos os
congressistas. Assim, a prova de que as coisas existem fora de nós,
por si mesmas, independentemente de nós, nunca pôde ser concluída.
E tantas outras questões subjetivas e objetivas nunca chegarão
a uma conclusão satisfatória. Temos mais perguntas que
respostas para o mistério da vida e para nossas curiosidades
e buscas. Não importa. É possível viver bem, mesmo
cheio de perguntas, se não quisermos ser donos de todas as respostas.
Mas, se o quisermos, cuidado com o Rio Amarelo! Ele poderá interromper
nossas pretenciosas e insaciáveis certezas imperiais.
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