Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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Eu amo Olga - Frei Neylor J. Tonin
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35. A porta da liberdade  

Li pela primeira vez esta história quando era ainda jovem e sentia o sangue ferver nas veias pelas grandes causas e desejava ser um paladino intrépido da liberdade. Por um lado, impressionou-me vivamente e, por outro, foi uma ducha de água fria em meus ardores juvenis.
Os bois, contava a história, reuniram-se, um dia, para deliberar sobre sua sujeição ao homem e de como se libertar dela. E havia entre eles um boi particularmente exaltado e eloqüente, que empolgou a todos e os convenceu de que a liberdade não é uma concessão, mas uma conquista, que deve ser arrebatada em sua própria morada, cuja porta ensangüentada, deve ser forçada com sangue nos chifres. Os bois o fizeram seu líder e marcharam atrás dele, aos berros: "PARA A LIBERDADE! PARA A LIBERDADE!" E continuaram avançando até uma casa, cujas paredes e portas estavam manchadas de sangue. Então, o líder apontou teatralmente para elas e comandou:
- Eis a morada da liberdade! Eis sua porta! Arremetei-vos contra ela! Botai-a abaixo e não desistais, mesmo que vossos chifres se quebrem e vosso sangue tenha que correr!
Os bois, diz a história, obedeceram. Seus chifres se romperam, seu sangue jorrou. Não desistiram até que derrubaram a porta e entraram e encontraram-se... dentro do matadouro.

Que nunca nos faltem, ó Deus, o sonho das grandes causas e a sabedoria das coisas possíveis. Se tivermos que quebrar nossa cabeça, que seja em favor de ideais comunitários e nunca pela vaidade impensada de paixões inconsequentes. Que nosso sangue seja de redenção para os outros e não de exaltação pessoal. Por outro lado, que nunca tenhamos medo de derramá-lo, nem uma prudência medrosa nos impeça de oferecê-lo, quando os tiranos desonrarem o sangue dos humildes, ofendendo a dignidade da vida. Dai-nos amar sempre, com total paixão, a liberdade e reverenciar os que derramam seu sangue em seu altar. Amém.


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