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Conta-se que, certo dia, o grande escritor americano Emerson (1803-1882)
e seu filho tentavam, a duras penas, arrastar para o estábulo um
teimoso bezerro. Mas ambos cometiam o primário erro de só
pensar na própria vontade. Emerson puxava o bezerro e o filho o
empurrava. E o bezerro empacava, pois também ele agia exatamente
como os dois: só pensava no que queria e, obstinadamente, recusava-se
a deixar o pasto. Aí, uma empregada irlandesa, mulher simples e
pouco dotada, que seria incapaz de escrever ensaios e livros como o grande
Emerson, veio em socorro dos dois. Pensando mais no bezerro do que em
si, colocou o dedo na boca do animal, deixou-o lamber gostosamente, enquanto
facilmente o ia conduzindo para o estábulo.
Ó grande Deus, senhor da obstinação dos brutos,
da perspicácia dos simples e da obtusidade dos entendidos, concedei-nos
a sabedoria de viver mais para os outros que para nós mesmos.
Dai-nos, pedimo-vos, apenas uma grande graça: a de sabermos colocar
o dedo na boca dos obstinados, sem puxá-los duramente, sem empurrá-los
grosseiramente, para podermos, junto com eles, chegar, um dia, sem canseiras
inúteis, a vossos estábulos eternos. Amém.
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