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Certa vez, narra o livro "An Introduction to Zen", quando o
mestre Bankel calmamente pregava a seus seguidores, sua fala foi interrompida
por um sacerdote, de nome Shinshu, que acreditava em milagres e pensava
que se alcançava a salvação pela repetição
infindável de palavras sagradas. Mestre Bankel, diante da intervenção
do sacerdote, perguntou-lhe o que desejava.
- O fundador de minha religião, disse o sacerdote, estava na margem
de um rio, segurando um pincel. Seu discípulo estava na outra margem
com uma folha de papel na mão. O fundador escreveu o santo nome
de AMIDA no papel, através do rio, pelo ar. Podes fazer algo tão
milagroso?
- Não! - respondeu Bankel. Só posso fazer milagres pequenos,
como, por exemplo, comer quando sinto fome, beber quando sinto sede e,
quando insultado, perdoar.
A quem aproveitam a ostentação e a volúpia
dos grandes milagres? A religião e seus ministros correm amiudadamente
a tentação de se autopromoverem com os pincéis
do poder sagrado que têm nas mãos. Mas, quando assim o
fazem, deixam de ser bons pastores para desfilar como bons atores. Adulteram
com isto a mensagem religiosa que devem ministrar e perdem os fiéis
a quem devem servir. A eles, só lhes sobra o esplendor das luzes
da ribalta, onde mostram suas caras-de-palhaço.
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