Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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Eu amo Olga - Frei Neylor J. Tonin
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42. Porre salvador e casamento  

* Esta aconteceu em Sidon e teve como protagonista o sábio Rabino Shimon bar Iochai (séc. II aC), que foi procurado por um jovem casal que, após dez anos de união, não tinha filhos. Segundo a lei, isto dava direito ao homem de pedir divórcio. E foi o que ele fez, apresentando-se, com sua esposa, ao Rabino. Este sentenciou:
- Vocês, ao se casarem, deram uma grande festa. Façam o mesmo, ao se separarem.
E assim foi feito. Reconvidaram os padrinhos, familiares, parentes e amigos e divertiram-se a noite toda. A mulher ofereceu de beber ao marido, mais do que o de costume. Quando ele já estava "mais pra lá do que pra cá", disse à esposa:
- Minha querida, ao voltares para a casa de teu pai, podes levar contigo o que mais desejares.
Quando ele, bêbedo, já dormia, ela pediu aos servos e servas que o levassem para a casa de seu pai,no próprio leito sobre o qual dormia. Ao acordar, ainda tonto, mas já meio curado do porre, espantou-se por se encontrar longe de sua casa.
- Mas, afinal, onde estou?
- Estás na casa de meu pai, respondeu ela. Lembras-te de que me disseste que poderia levar comigo o que mais desejasse? Nada me agrada mais, no mundo, do que tu.
No mesmo dia, voltaram à presença do Rabino Shimon bar Iochai, que os abençoou novamente e, pouco depois, ela engravidou. Como nas histórias antigas, viveram felizes para sempre, cercados de filhos e rindo do porre providencial.

O que pode fazer um bom porre! E, mais do que um bom porre, as matreirices de um grande amor! A bebida, que estraga tantos casamentos, desta vez foi salutar e abençoada.

* E já que estamos falando em casamento, existe aquela história do apaixonado que foi bater à porta de sua bem-amada que vivia numa floresta. De dentro, ao perguntar, "quem bate?", obteve como resposta "sou eu, meu amor!". Mas ela não abriu a porta. Apenas disse:
- Não te conheço.
Ele, então, muito triste e perturbado, retirou-se para o fundo da floresta para meditar sobre a verdadeira natureza do amor. Após muito tempo, tornou a bater à porta da casa de sua bem-amada que, mais uma vez, perguntou "quem bate?", ao que ele respondeu:
- Sou tu, meu amor.
A porta, então, se abriu, e eles "viveram felizes para sempre".

A aventura do casamento não se estriba, em definitivo, sobre as pulsões intemperantes da paixão, por mais ardentes que possam ser. Nunca é demais frisar que amar é radicalmente esquecer-se, é gravar no coração o nome do outro, é cuidar de seu coração, carregando o outro nas próprias mãos. E é confessar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença: Amar-te-ei por amor do amor somente, e quero ser teu eternamente.

* E, por último, mais uma historinha de casamento, que dá o título a este livro. Conta um novelista russo que, certo dia, coberto de carvão da cabeça aos pés, um mineiro voltava para casa. Vamos chamá-lo de Igor, nome bem russo. Pois bem, Igor, cansado e todo encarvoado, já estava perto de seu lar, quando uma jornalista lhe perguntou:
- O que fazes na vida?
- Ora, o que eu faço? - estranhou ele. Eu amo Olga, minha mulher!

Mais do que escavar o fundo de uma mina, mais do que atravessar oceanos e remontar os céus, a mais importante missão humana é amar. Este é o grande trabalho da vida. O outro é nossa mina de ouro e de carvão, nossa tempestade e porto seguro, nosso purgatório e nosso céu. (Só não podemos ser para ele um inferno.)


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