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* Conta uma fábula persa que, certo dia, um tolo viu um camelo
e, meio na gozação, lhe disse:
- Puxa! Tua imagem é toda torta...
- Não sabes - respondeu-lhe o camelo - que, criticando a figura,
também criticas seu criador? Abre o olho! É melhor não
olhar minha torteza, como se fosse um defeito, mas aprende de mim o modo
reto de caminhar. Minha forma foi feita assim mesmo, propositalmente,
como a perfeição de um arco lhe vem por ser curvo. A uma
cabeça de burro convém-lhe orelhas de burro. Para os sábios,
tanto o mal quanto o bem pode ser um supremo bem. De Deus, o mal não
vem. Se não és sábio, contenta-te com esta verdade:
as coisas estão bem assim como são.
* História semelhante, com o mesmo fundo de verdade, é
contada por Miriam de Carvalho Perissé, uma dedicada professora
do interior do Brasil. Ela já transformou sua história ("O
Macaco Zombador") em livro-para-crianças, com o título
Esta História Aconteceu (Ed. VOZES).
Havia um macaco, conta ela, que adorava pregar peças aos outros
bichos. Se via um coelho, puxava-lhe as orelhas e, fugindo, gritava: "Oh,
orelhudo!" Se se encontrava com a girafa, mangava dela, chamando-a
de "pescoçuda". Gozava do jacaré, que, para ele,
era "bocudo", da coruja, que era "zoiúda",
da raposa, que era "peluda", do papagaio, que era "linguarudo"
e desrespeitava até o rei da floresta, o leão, chamando-o
de "cabeludo". Os animais resolveram, um dia, dar-lhe uma lição.
Pegaram-no dormindo e aplicaram-lhe uma surra exemplar, depois de o chamarem,
é claro, de "rabudo". E o leão sentenciou:
- Na floresta, somos todos diferentes e cada um é um. Esta é
nossa riqueza. Aqui, ninguém é mais, ninguém é
menos. Somos como Deus nos criou. Se não nos respeitamos, só
nos resta a guerra e não haverá mais paz.
E na floresta da sociedade humana? Por que há tantas guerras
e tão pouca paz? Sobram macacos zombadores e falta respeito pelos
outros? Ou só há macacos e rareiam os santos de Deus?
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