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Escutei, quando jovem, uma história que, mais tarde, vim a descobrir
tratar-se de uma corruptela duma fábula japonesa. A história
corrompida é a seguinte:
Certa pessoa acabou, não sei por que cargas d'água, dependurada
no galho de um arbusto que, providencialmente, crescia à meia altura
de um alto barranco. Não tinha como galgá-lo, até
porque, acima, o espreitava um feroz tigre.
Olhando para baixo, o precipício era mortal, pois seu fundo estava
coalhado de cobras venenosíssimas. Em tal situação,
a pessoa se lembrou de Deus e rezou:
- Ajuda-me, Senhor!
E ouviu, diz a história, uma voz que ecoou no abismo:
- Está bem, meu filho, Eu te ajudo, mas primeiro larga o galho!
"Largar o galho", os nossos galhos, não é
tarefa fácil. Normalmente, preferimos galhos com seguranças
relativas à certeza absoluta que a fé garante. Conseqüentemente,
que autenticidade, em tais circunstâncias, têm as orações
que as pessoas fazem? Quando apelam para Deus, fazem-no levadas pela
fé, que acredita, de fato, ou pelos medos, que as assustam, e
muito? Não deveriam, como os discípulos, pedir todos os
dias: "Aumentai, Senhor, nossa fé"? E, a partir daí,
viver mais soltas, largando os galhos, sem medo dos tigres e cobras
que lhes povoam os barrancos e precipícios?
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