Frei Luís Flávio Cappio
Frei Neylor J. Tonin
Hoje, quero levantar a voz, com admiração, em favor do
bispo franciscano, meu aluno e santo homem, FREI LUÍS FLÁVIO CAPPIO. O teólogo
Leonardo Boff, inclusive, meu confrade, chama o bispo de “louco de Deus”. Loucos
de Deus, em termos espirituais, eram aqueles peregrinos espirituais e
andarilhos místicos que corriam a velha Rússia dos Czares, vergastando as
autoridades prepotentes e animando o povo em seu itinerário religioso. Pois o
Bispo Frei Luís Flávio Cappio tem muito de “louco de Deus”.
Como todos tomaram conhecimento, ele se opôs à
transposição das águas do Rio São Francisco que, segundo estudos abalizados,
viriam a beneficiar apenas a 7% da população pobre e mais de 80% dos grandes
latifundiários da região.
O bispo tem muito pouco de “louco”. Segundo reconhecem as
próprias fontes do Governo, ele é “racional e equilibrado”. Foi ele quem
recebeu o Presidente Lula, em 1994, então candidato, traçando-lhe um quadro
assustador da miséria em que viviam e ainda vivem as populações ribeirinhas do
São Francisco.
Dom Luís Flávio Cappio tem relações cordiais com a cúpula
da Igreja, conhece pessoalmente o atual papa Bento XVI e não pode ser acusado
de suicida estabanado e extremado. Recorreu à greve de fome para salvar da fome
a milhares de pessoas que já morrem de fome em situação social insustentável.
Das mais diversas procedências, muitas pessoas se
solidarizaram com ele, inclusive seu antigo Superior franciscano, Frei Augusto König,
que assim lhe escreveu: “Em primeiro lugar, quero hipotecar solidariedade à sua
pessoa, pelo nobre gesto, capaz de sacudir a Nação, sobre uma grande causa de
vida e morte como esta que defende. Você tem sido uma pessoa radical em seus
procedimentos. Creio que o faz de uma forma profética por aquilo que acredita.
Assim como o faz pelo amor a um Rio e o que ele significa para o povo que dele
se beneficia”. “Não quero – diz – que chegue a morrer. Mas não podemos
minimizar ou diminuir a grandeza de seu ato”.
Na verdade, Frei Luís Flávio Cappio não queria morrer, mas
não se negava à morte por amor dos direitos à vida de suas ovelhas.
Doar a vida como queria o Bispo não é ser suicida, assim
como não foi suicida Jesus, que deu sua vida para a salvação dos que
acreditavam e acreditariam nele.
Conheci o agora Bispo Frei Luís Flávio Cappio. Desde
quando era meu aluno, já manifestava coerência de vida e de fé. Suas palavras
expressavam a fé que tinha e vivia de acordo com a pré que professava.
É muito fácil acusá-lo de extremista e fanático, de
revolucionário e populista. Alguns jornalistas e articulistas o fizeram. Até o
fizeram colegas de missão e prelados da Igreja. Em seu livro-testamento, Do
Alto da Montanha, Morris West disse que é preciso ter uma causa seja para
viver, seja para morrer. O franciscano Dom Luís tinha e tem. Muita gente que
vive no ar condicionado de seus gabinetes e de barriga cheia não tem. Frei
Luís, em seu rancho na distante cidadezinha de Cabrobó, vivendo e morrendo
pelos pobres, pouco se importa com estas materialidades. Foi, por isso, chamado
de “o Gandhi brasileiro”.
Para ele, o Bispo franciscano Frei Luís Flávio Cappio,
levanto, com admiração, a voz, no aplauso e na reverência.
Salve Dom Luís
Flávio Cappio
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