Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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Levantando a voz 12

Frei Neylor J. Tonin

Coisas do Brasil

Queridos amigos: Hoje, vamos levantar a voz para comentar aguns assuntos que estão na pauta do nosso tempo ou de nossa vida social.

b Um dos grandes discursos de todo o mundo – de políticos, de homens de Igreja e gente do povo – é o que promete maior igualdade social. Não é possível e aceitável – todos concordam que os ricos fiquem sempre mais ricos e os pobres, sempre mais pobres. O contrário é que seria o ideal, ou seja, que os ricos aceitassem ver diminuída sua participação exorbitante nas riquezas comuns e os pobres se pudessem beneficiar-se mais significativamente no bens que são destinados a todos. Com isso, se sanaria, ao menos em parte, o que todos ou quase todos consideram uma grave injustiça. Pois bem. A pergunta é: O que estaria acontecendo no Brasil de hoje? A esta pergunta respondeu, há dias, o IBGE. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o país teria ficado menos desigual, no segundo ano do governo LULA. Segundo o PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem por Domicílio), em 2004, a taxa média de desemprego caiu de 9,7%, índice de 2003, para 9%, a menor em seis anos e, conseqüentemente, a pobreza e a miséria estariam decrescendo entre nós. A ser isto verdade, dá vontade de ficar feliz e de bater palmas. Mas será isto verdade? Já vi muita gente, principalmente, em Rádios, rindo, dando boas gargalhadas a respeito destes dados. Não somos, evidentemente, adeptos do “quanto pior, melhor”. Mas, dentro do horizonte estreito em que vivemos, em nossa querida Cidade Maravilhosa, não é isto que se vê e constata. No Rio de Janeiro: os ricos e os bancos nos parecem sempre mais ricos e os pobres ainda mais pobres. Francamente! Fica difícil crer nos dados divulgados com pompas e circunstâncias pelo IBGE. (MÚSICA)

b Alunos das Escolas Públicas de Petrópolis poderão virar outdoors ambulantes, ou seja: para que a Prefeitura não tenha que pagar pelos uniformes que ela financia e eles usam, os alunos ostentariam nos uniformes marcas de produtos, dos mais variados, estando, apenas, excluídos produtos de partidos políticos, de fumo, de bebidas alcoólicas e de jogos de azar. Meu Deus, será que vamos chegar a isto? Pespegar nos uniformes das crianças a publicidade de produtos que os próprios portadores nem desejariam ostentar? Enfim, depois que as camisetas dos selecionados nacionais, nas várias modalidade de esporte, se transformaram num acintoso e agressivo outdoor de tudo, agora seria a vez das crianças, mesmo a contragosto delas. A fome do mercado parece insaciável. Antigamente, os ladrões respeitavam certos ambientes, como as igrejas. Hoje, nem elas estão a salvo dos malviventes. O que nos parece é que estamos entrando num processo de degradação progressivo do que temos de mais sagrado e querido. Agora, é a vez das empresas de invadirem a inocência das crianças, mesmo que uma família possa dizer: “Não, este produto não entra, aqui, em casa”. Pois, agora, vai entrar... no uniforme de seus filhos. É justo e amedrontador nos perguntarmos: Aonde iremos parar? Será que, amanhã, para sustentar as obras sociais de nossas igrejas, até padres e pastores portarão em suas vestes e se tornarão, nas cerimônias religiosas, outdoors ambulantes, anunciando produtos e interesses comerciais das Empresas? (MÚSICA)

bA violência em nossa cidade já ultrapassou todos os limites possíveis e suportáveis. Ninguém mais se sente seguro de tomar um ônibus, de ir ao um shopping ou de visitar um amigo. O medo é o grande companheiro indesejado do nosso dia a dia. Enquanto a população vive com medo, traficantes morrem jovens e pouco estão se lixando para isso. Um deles dizia, há pouco: “Não tenho outra chance. Ando armado e mato, porque sei que posso morrer”. Como ficamos nós, a população, em meio a este confronto, de vida e morte, entre a polícia e os grupos armados das favelas, sempre na linha de uma bala perdida, que não é tão perdida assim? Se a guerra fosse apenas entre pessoas armadas – polícia e tráfico – já seria grave demais. Estaríamos vivendo em estado de guerra, sem que a guerra tivesse sido, ao menos, declarada. Mas a violência afeta a todos, muda nossos comportamentos, mantém-nos prisioneiros em nossas casas. Nossa cidade, que se caracterizada por ter uma noite mais alegre e circulante, que fazia a alegria dos turistas e oferecia descanso e lazer às famílias, perdeu seu encanto e graça. De noite, nossa cidade já não é mais maravilhosa! Não estou seguro sobre as críticas que são feitas à atuação da polícia que ganha tão pouco para pôr sua vida em risco e está tão mal armada para enfrentar os foras-da-lei. Os responsáveis pela segurança pública da população fazem discursos, elegem-se com promessas, mas parecem impotentes e alheios ao drama que vivemos. Não é possível que continuemos assim. Ninguém suporta viver com medo quando trabalha durante o dia e volta para casa com o coração na mão. Será que só nos resta rezar? Será que discursos, mesmo de políticos bem intencionados, salvam vidas e garantirão a paz que já não temos? Algo precisa ser feito e feito com urgência e firmeza. Levanto a voz para dizer aos bandidos: “Parem com a violência! A violência é um desrespeito ao ser humano, é um ato condenável contra a convivência humana, é um crime contra a humanidade”. E levanto a voz, também, para alertar as autoridades responsáveis: “Discursos só não bastam! Vossas senhorias foram eleitos na confiança da população e juraram defendê-la. Acordem! Criem vergonha! Caso contrário, se voltará contra os Senhores a arma, a última arma de que dispõe ainda a população: o voto! E este votos lhes será a bala perdida paras suas pretensões políticas!” (MÚSICA)

bSegundo dados da Secretaria Nacional Antidrogas, 64% dos brasileiros são consumidores de bebidas alcoólicas. Este é um dado alarmante. Em outros países, principalmente os do Primeiro Mundo e de nações muito pobres, não será diferente. Vivi por mais de dois anos nos Estados Unidos e sei que a ingestão e dependência das bebidas alcoólicas são um grave problema e uma preocupação nacionais. O mesmo posso garantir de países muito pobres africanos. Não vale nominá-los. O grave ou o mais grave dado revelado pela pesquisa é o consumo entre os jovens e adolescentes, entre jove3ns de 14 e 15 anos. Os dependentes de todas as idades revelaram que entraram na bebida por problemas familiares e conjugais (brigas, perda do emprego, doenças e desencanto com a vida). 11% também revelaram que já foram agredidos por pessoas que estavam sob efeito da bebida. 28% dos entrevistados afirmaram que já andaram em carros dirigidos por pessoas alcoolizadas. A Sra. PAULINA DUARTE, diretora da Prevenção e Tratamento da SENAD (Secretaria Nacional Antidrogas) asseverou: “A situação é preocupante. Houve uma evolução do consumo de bebida muito grande. E nós temos que avançar com a mesma velocidade para controlar esse consumo, pois o consumo de álcool tem um custo familiar e social muito elevado”. Disso, todos estamos conscientes. Quantos casamentos se desfazem porque um cônjuge já não suporta os maus tratos insuportáveis afligidos pelo companheiro embebedado. Drama ainda maior atinge os filhos que ficam impotentes diante de pais que bebem. Especialistas em tratamento a alcoólatras aconselham duas emergências: PRIMEIRA: Pouco adiante reclamar individualmente contra quem bebe. A denúncia ou o alerta deverá sempre ser feito conjuntamente por mais pessoas, quando o dependente volta ao estado de sobriedade. O assunto deverá ser tratado por um “conselho familiar” ou por várias pessoas. Sempre com amor e com firmeza. Sem panos quentes. Sem desculpas. SEGUNDA: Os dependentes deverão passar por uma desentoxicação física e um reforço espiritual. Para tanto, os familiares deverão providenciar, sem tergiversar e aceitar desculpas, um atendimento, com hora marcada, com uma Clínica especializada. E acompanhar o dependente para ela. Só assim, o problema será enfrentado com chances de possível solução. Gostaria de terminar dizendo da alegria que volta a reinar nas famílias que conseguiram vencer o drama do álcool e da alegria dos dependentes que revivem graças ao milagre da sobriedade. Queridos amigos: lutem por seus entes queridos dependentes do álcool. O que está em jogo é a sua família, uma nova vida e a felicidade de todos.

 

 

 
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