Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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Levantando a voz 15

Frei Neylor J. Tonin

A alegria sem par de perdoar e ser perdoado

QUERIDOS AMIGOS: Em nossas Igrejas, estamos vivendo o tempo do Advento, do Santo Advento. Este é um tempo muito especial. É um tempo de grandes esperanças e de promessas divinas. Nós confiamos em Deus e Deus escuta nossas preces, atende às nossas esperanças e promete visitar-nos. Desejamos todos um grande presente, e Deus não nos decepcionará. O presente que queremos é a Paz e Deus promete mandar-nos o seu Filho, o Príncipe da Paz. Nestes desejos, olhamos todos para o horizonte em busca da estrela que anunciará à toda Humanidade que Deus estará nascendo e que uma grande alegria está sendo cantada nas Campinas de Belém pelos anjos do céu. “Nós vos anunciamos a maior de todas as alegrias: Encontrareis, deitado numa manjedoura, um menino, envolto em panos. Ide adorá-lo! Ele é o Salvador dos homens de boa vontade, a quem Deus tanto ama”.

MEUS AMIGOS: Estamos perto do Natal. Jesus está quase chegando. Mais uma vez, as promessas de Deus irão se cumprir. Mais uma vez, ganharemos um lindo presente. Nossos corações se encherão de luz e todos teremos vontade de abraçar-nos uns aos outros, desejando-nos um FELIZ NATAL. Nossos rostos ficarão mais doces, nossas mãos ficarão sem armas e nossas bocas só dirão palavras de Paz e Alegria. Que linda festa é o Natal! É a festa de Deus que vem à terra e é a festa da humanidade que diz a Deus: Sê bem vindo! Pode armar tua tenda entre nós! Entra em nossas casas. Senta-te à nossa mesa! Come conosco. Nós te amamos! Nós queremos cuidar bem deste lindo menino recém nascido, queremos apertar nos braços a Jesus, filho de Maria e do Espírito Santo.

Mas, antes que isso aconteça, queremos preparar nosso coração. Antes de abraçar Jesus, queremos abraçar nossos irmãos, no perda. Se tivermos alguma queixa contra alguém, queremos perdoá-lo e queremos ser perdoados por eles. Vamos falar um pouco sobre o perdão.

QUERIDOS AMIGOS: o perdão é fonte de profunda paz e inexcedível alegria. Na verdade, todos necessitamos dele e todos podemos dá-lo. Há quem diga que só Deus pode perdoar. Não é verdade. Nós, que somos de Deus, podemos, a exemplo de Cristo, dizer a um ofensor: Vai em paz e não peques mais! Eu te perdôo! Para mim, tuas faltas já não contam mais.

Perdoar não é esquecer o acontecido, mas relevar ou zerar a culpa. Ouvimos, muitas vezes, pessoas aconselhando: “Esqueça! O melhor é esquecer o que aconteceu entre vocês”. Esquecer, infeliz ou felizmente, não é possível, a menos que fiquemos desmemoriados, mas dá para minimizar a ofensa e passar a conviver bem com quem nos ofendeu. Isto todos podemos fazer, você e eu. O perdão cura as feridas de nosso coração e nos restitui uma nova alegria de viver com Deus e com os outros.

As mais sentidas lágrimas experimentadas por mim, como sacerdote, foram vertidas por pecadores verdadeiramente arrependidos, no confessionário. Ao serem perdoados, foi como se o céu se abrisse para eles e lhes fosse tirado um enorme peso das costas. Não resistindo, choraram lágrimas de felicidade, as alegres e felizes lágrimas da reconciliação com o céu e com a terra.

Jesus deixou algumas recomendações precisas sobre o perdão. Aconselhou aos que estavam para fazer sua oferta no Templo e se lembravam de que algum irmão tinham algo contra ele (Mt 5,23), que adiassem o ritual da oferta e fossem, primeiro, reconciliar-se com ele. No Pai Nosso, Jesus estabeleceu a exigência do perdão para que seus seguidores também fossem perdoados. “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Antes de continuar, escutemos uma MÚSICA natalina.

QUERIDOS AMIGOS: Não sei se você, querido amigo ou querida amiga, está com o coração ferido por uma ofensa. Não sei se seu coração está chorando baixinho por uma dor que o machuca por dentro. Esta ofensa – eu sei - será tanto mais grave se tiver sido feita por alguém muito querido, por um irmão, por uma irmã, por um pai ou por uma mãe, por um filho ou uma filha. De todo o coração, em nome do Santo Natal e em nome de Deus, queria pedir-lhe que perdoasse. Que perdoasse de todo o coração. Pegue o telefone, ligue para a pessoa que o terá ofendido e diga-lhe: “Vamos nos perdoar, vamos deixar para trás o que nos aconteceu. Como poderemos abraçar o Menino Jesus com um coração amargo, com um rosto endurecido! Deus pede que nos perdoemos um ao outro. Que não vivamos longe um do outro, alimentando ódios e rancores. Se lhe ofendi, me perdoe. De minha parte, eu também o perdôo. E lhe desejo um FELIZ NATAL!”

Escute uma linda história. Que beleza e quanta sabedoria humana no conselho do Primeiro Ministro, Abi-Khaled Al-Ahual, a seu senhor Al-Manum, quando este prendeu seu maior inimigo, Ibrahim Al-Mahadi! Disse-lhe seu Primeiro Ministro: “Príncipe dos Crentes, se o matares, terás feito o que todos fazem. Se o perdoares, serás o Único”.

Lembra-te, ó Homem, de que ninguém é tão santo que não tenha que pedir perdão, nem tão ofendido que não possa oferecê-lo. Quando perdoamos, nosso coração se engrandece; quando somos perdoados, nossa vida se enche de felicidade e de uma alegria indizível e sem par. Só assim poderemos todos abraçar e beijar, no Natal, Jesus, o Filho de Deus. Para os que perdoam, levanto, hoje, minha voz, para aplaudi-los, em nome de Deus!

 

 

 
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